Entrevista Do Mês

ENTREVISTA DO MÊS

Com dinheiro e segurança não se brinca

Basta falar em dinheiro que algumas pessoas já ficam ansiosas só ao pensar. É sempre bom ter dicas preciosas para guardar na manga e utilizá-las no dia a dia, desde a hora do recebimento, o saque nos caixas eletrônicos até a concretização da compra. Afinal, quando o assunto é “segurança financeira” não vale dar bola ao azar! Por isso, para que você não caia em ciladas, entrevistamos o delegado e especialista em segurança Jorge Lordello, que também atende por Dr. Segurança, nome do quadro que apresenta na Rede TV.

Guia dos Endividados: Qual a melhor forma de proteger as minhas senhas? O que é uma senha segura?

Jorge Lordello: Literalmente, a senha nada mais é que a chave para abrir o seu cofre. As pessoas têm certa vergonha de cobrir com a mão enquanto as digita. Lembre-se que ninguém pode enxergar a sua senha. É importante que as pessoas não colem papeizinhos com a senha atrás dos cartões, em anotações próximas ao computador, além de compartilhar a mesma senha. Além disso, faça senhas seguras que envolvam números, letras e caracteres especiais. Esqueça a ideia de colocar telefones de casa, números de documentos ou datas de nascimento. É comum pôr palavras, mas este tipo de senha é facilmente capturado por programas de computador. E lembre-se: senhas devem ser decoradas, pois as pessoas só gravam algo que é importante para elas.


Guia: Atualmente, as pessoas preferem utilizar cartões ao invés de dinheiro em espécie. O que há de ruim nisso? Como se prevenir?

Jorge: Contas pequenas de até R$ 20 podem e devem ser pagas com dinheiro em espécie. O maior erro das pessoas é exagerar no uso dos cartões. Isso aumenta o risco de ter o cartão clonado. Programe o que fará e aonde irá, isso permite que você carregue na carteira apenas o necessário.


Guia: No caso do cartão de crédito e débito, é comum ouvirmos casos de fraude. Como posso evitar isso?

Jorge: Com os cartões de crédito, os marginais possuem diversas maneiras de aplicar golpes para clonagem. Vale lembrar que clonar não é copiar, pois o cartão físico não permite uma cópia em virtude de uma série de itens de segurança. Estas pessoas desejam copiar a tarja magnética de seu cartão, usando um aparelho colocado nos caixas 24 horas dos bancos. Aparentemente, você não o vê, mas se mexer no teclado, este aparelho pode até cair em sua mão. Se fizer um pagamento, e o seu cartão, seja de crédito ou débito, sair do seu raio de visão, atente-se. Em postos de gasolina, desça do carro e vá até o caixa. A mesma coisa no restaurante, peça ao garçom para trazer a máquina na mesa. Nessa hora, não podemos pensar em comodidade.


Guia: Certas vezes, notas falsas passam despercebidas em nossas mãos. Como identificá-las? O que fazer se recebi uma?

Jorge: A falsificação mais comum é a feita com notas de R$ 50. Se você receber uma nota falsa e identificá-la no momento, peça para a pessoa trocar. Porém, se você perceber depois e não souber quem lhe passou, entregue a um banco, mas eles não irão ressarci-lo. O grande lance é que a nota verdadeira é feita de papel moeda com fibras de algodão, enquanto a falsa é produzida com papel sulfite, deixando o toque diferente. Quanto à impressão, os relevos são perceptíveis nas notas reais, ao passo que na falsa a impressão no computador deixa uma superfície lisa. Se você amassar a nota falsificada, ela vinca como um papel normal. Já a original amassa, mas volta ao normal. Repare também na marca d’água, pois na verdadeira você só consegue vê-la contra a luz, enquanto a outra é impressa e em qualquer situação pode ser vista.


Guia: Como fazer transações bancárias pela Internet com o máximo de segurança? Quais são os principais erros que não devemos cometer de jeito nenhum?

Jorge: Se não tomar cuidado, você pode perder uma boa quantia. Ao se cadastrar no Internet Bank, o próprio site orienta com algumas dicas de segurança e é extremamente importante segui-las. Use o banco on-line em um computador particular com programas originais, pois eles oferecem todas as atualizações necessárias. Se você utilizar programas falsificados e for vítima em uma transação o banco não irá ressarci-lo. Evite este tipo de acesso em lan house, pois você está lidando com dinheiro em um computador desconhecido.


Guia: Muitas pessoas utilizam os caixas eletrônicos com freqüência. Quais são os principais golpes aplicados? Como escapar destas ciladas?

Jorge: Quem não tem habilidade aceita a ajuda dos “bonzinhos de plantão”. Ele é um estelionatário, logo, não aceite auxílio de estranhos. Os falsários agem aos sábados e domingos, pois não há funcionários no banco para ajudar e é quando algumas pessoas vão pagar contas. Por exemplo, há um golpe da presilha que prende o seu cartão de modo que você só perceba após digitar a senha e tentar retirá-lo. Enquanto você procura alguém para lhe ajudar, eles utilizam uma pinça para retirar o cartão e acessam a sua conta.


Guia: Qual a forma correta de trabalhar com talões de cheques? Devo deixá-los em casa? Quais são as principais orientações de uso a serem dadas aos consumidores?

Jorge: Você não precisa carregar o talão de cheques no bolso. Leve apenas o necessário com você, principalmente nas carteiras. Quando alguém falsifica uma assinatura ou muda um valor em um cheque, o banco não costuma concluir o pagamento, mas se eventualmente acontecer, você será ressarcido. Caso forjarem a sua assinatura, lembre-se que cheques com valores acima de R$ 300 têm a assinatura checada pelo banco, sendo uma garantia ao correntista em casos de fraudes.